A primeira necessidade da boa tradução é a fidelidade ao sentido do original. Uma boa tradução deve dizer tudo o que diz o original, somente isso .
Já vi muitas pessoas dizerem que isso não pode ser verdade, que originalidade (e “original”) são conceitos do passado . Pode ser, mas, para elas, tenho duas respostas: a primeira é que meus clientes vão fazer a comparação das suas traduções com os originais e ai de mim se não forem fieis , se não disserem direitinho o que tem no original. Como são os clientes que bancam o feijão , prefiro fazer do jeito deles. A segunda questão é que elas são as mesmas pessoas que assistem tv para apontar aqueles lugares onde a tradução “não é o que a pessoa falou ”.
A segunda coisa, ainda do meu jeito de ver, é português que se preze. Esta questão não vale se o tradutor revirar, contorcer e distorcer a língua portuguesa, com o objetivo de reproduzir algum traço definido do estilo do autor, que também possa violar a forma da língua base. Português certo também significa fluência, idiomatismo, propriedade do gênero textual e muitas coisas que não vou discutir aqui.
A terceira necessidade, por fim, e continuam da minha forma de enxergar, é compatibilidade com a jeito original. Quero dizer, se o modelo original é um artigo dificílimo sobre filosofia, descrito de um estilo altamente laborioso, focado para especialistas, não cabe a nós tradutores fazer a tradução num estilo focado para adolescentes. Isso na verdade virou de ser tradução para ser adaptação e, claramente, informação para amanhã.
De qualquer jeito, então, e retornando ao exemplo, o menino comeu um pedaço de bolo é uma boa tradução para the boy ate a piece of cake, porque reflete o que fala o original e não tem como mudar para que reflita melhor; não possui erros de português e tem estilo compatível com o do original. A situação de que é não atrapalha nenhuma destas situações. Claro que não se pode traduzir literalmente todo o tempo. Sempre que a tradução literal prejudicar uma dessas coisas deve ser descartada.
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